m grito de Theon Greyjoy e os
cascos dos outros cavalos atrás dele,
O manto de Bran enfunou-se, ondulando ao vento, e a neve
pareceu correr de encontro ao seu rosto. Robb estava bem
adiantado, lançando relances ocasionais por sobre o ombro a
fim de se assegurar de que Bran e os outros o seguiam. Bran
voltou a sacudir as rédeas. Suave como seda, Dançarina pôs-
se a galope. A distância diminuiu. Quando alcançou Robb no
limiar da Mata de Lobos, a duas milhas da Vila de Inverno,
tinham deixado os outros muito para trás.
- Posso montar! - gritou Bran, sorrindo. Era quase tão bom
como voar.
- Eu faria uma corrida com você, mas temo que possa ganhar
- o tom de Robb era ligeiro e brincalhão, mas Bran viu sob o
sorriso do irmão que alguma coisa o perturbava.
- Não quero corridas - Bran olhou em volta à procura dos
lobos gigantes. Tinham ambos desaparecido na floresta. -
Ouviu Verão uivar ontem à noite?
- Vento Cinzento também estava inquieto - disse Robb. Tinha
os cabelos ruivos espetados e despenteados, e uma barba
avermelhada cobria-lhe o queixo, fazendo-o parecer ter mais
que os seus quinze anos. - Às vezes penso que eles sabem
coisas... que sentem coisas... - Robb suspirou. - Nunca sei bem
quanto posso lhe dizer, Bran. Gostaria que fosse mais velho.
-Já tenho oito anos! - Bran retrucou. - Oito não é muito mais
novo que quinze, e sou o herdeiro de Winterfell depois de
você.
- Pois é - Robb parecia triste, e até um pouco assustado. -
Bran, preciso te contar uma coisa. Chegou uma ave ontem à
noite. De Porto Real. Meistre Luwin me acordou.
Bran sentiu um temor súbito. Asas escuras, palavras escuras,
dizia sempre a Velha Ama, e nos últimos tempos os corvos
mensageiros vinham provando a verdade do provérbio.
Quando Robb escrevera ao Senhor Comandante da Patrulha
da Noite, a ave que regressou trouxe a noticia de que Tio
Benjen continuava desaparecido. Depois chegara uma
mensagem do Ninho da Águia, da mãe, mas também não
trazia boas notícias. Ela não dizia quando pretendia
regressar, apenas que tomara o Duende prisioneiro. Bran de
certo modo simpatizara com o homenzinho, mas o nome
Lannister punha-lhe dedos frios passeando pela espinha.
Havia algo a respeito dos Lannister, algo de que se devia
lembrar, mas quando tentava pensar no que, sentia-se tonto e
o estômago ficava duro como pedra. Robb passara a maior
parte daquele dia trancado com Meistre Luwin, Theon
Greyjoy e Hallis Mollen, Depois, cavaleiros partiram em
cavalos rápidos, levando as ordens de Robb a todo o Norte.
Bran ouviu falar de Fosso Cailin, a antiga fortaleza que os
Primeiros Homens tinham construído no topo do Gargalo.
Ninguém chegara a lhe dizer o que se passava, mas sabia que
não era boa coisa.
E agora outro corvo, outra mensagem. Bran agarrou-se à
esperança.
- Era a ave da mãe? Ela vai voltar para casa?
- A mensagem é de Alyn, em Porto Real. Jory Cassei está
morto. E Wyl e Heward também. Assassinados pelo Regicida
- Robb levantou o rosto para a neve e os flocos derreteram em
suas bochechas. - Que os deuses lhes dêem descanso.
Bran não soube o que dizer. Sentia-se como se tivesse levado
um murro. Jory era capitão da guarda doméstica de
Winterfell desde antes de Bran nascer.
- Mataram Jory? - lembrou-se de todas as vezes em que Jory
o perseguira pelos telhados. Via--o caminhando pelo pátio, em
passos largos, vestido de cota de malha e armadura, ou
sentado no seu lugar de costume no banco do Salão Grande,
gracejando enquanto comia. - Por que haveria alguém de
matar Jory?
Robb balançou a cabeça com um ar entorpecido e uma clara
dor nos olhos.
- Não sei, e... Bran, isso não é o pior. Nosso pai foi apanhado
debaixo de um cavalo que caiu na luta. Alyn diz que ficou
com a perna destroçada e... Meistre Pycelle deu-lhe o leite da
papoula, mas não têm certeza de quando é que... quando é
que ele... - o som de cascos o fez deitar um relance pela
estrada, para onde Theon e os outros se aproximavam. -
Quando é que ele vai acordar - concluiu. Pousou então a mão
no punho da espada e prosseguiu na voz solene de Robb, o
Senhor. - Bran, prometo-lhe, aconteça o que acontecer, não
deixarei que isto seja esquecido.
Algo no seu tom fez com que Bran ficasse com mais medo
ainda.
- Que vai fazer? - perguntou quando Theon Greyjoy refreava
seu cavalo ao lado deles.
- Theon pensa que devo chamar os vassalos - disse Robb.
- Sangue por sangue - pela primeira vez Greyjoy não sorria. O
rosto magro e escuro tomara um aspecto faminto, e cabelos
negros caíram-lhe sobre os olhos.
- Só o senhor pode chamar os vassalos - Bran disse enquanto
a neve caía lentamente ao redor do grupo.
- Se o senhor seu pai morrer - disse Theon -, Robb será o
Senhor de Winterfell.
- Ele não morrerá! - Bran gritou.
Robb tomou-lhe a mão.
- Ele não morrerá, nosso pai não morrerá - ele disse
calmamente. - Mesmo assim... a honra do Norte está agora
em minhas mãos. Quando o senhor nosso pai se afastou de
nós, disse-me para ser forte por você e por Rickon. Sou quase
um homem-feito, Bran.
Bran estremeceu.
- Gostaria qu